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Leia 7 redações nota 1000 do ENEM 2025

Veja as redações que alcançaram a nota máxima em 2025.

Leia 7 redações nota 1000 do ENEM 2025

Escrito por Prof. Raquel de Lima

Atualizado em 6 de Abril de 2026

Conseguir nota 1000 na redação do ENEM é algo raro e os números mostram isso: em 2025, apenas 10 participantes alcançaram a pontuação máxima, o menor total já registrado. No dia da prova, fatores como ansiedade e um tema fora do esperado acabam dificultando o desempenho até de quem estudou bastante.

Ainda que seu objetivo não seja fechar a redação com 1000 pontos, tirar uma nota alta já pode elevar muito suas chances de entrar na faculdade. E um dos jeitos mais inteligentes de se preparar é observar, na prática, o que deu certo: as redações nota 1000.

Pensando nisso, reuni 6 das 10 redações que tiraram nota 1000 no ENEM 2025. Vem ver:

Wellington Ribeiro

Na obra "Feliz aniversário, a escritora Clarice Lispector aborda, dentre outros aspectos, a realidade de exclusão vivenciada por grande parte dos idosos brasileiros, os quais, de acordo com a autora, só são lembrados por seus familiares em datas comemorativas. Ao transpor o viés literário, percebe-se a acentuação dessa problemática, a qual aborda a falta de perspectiva social perante ao envelhecimento existente no Brasil contemporâneo. À vista desse conceito, é ideal analisar o passado nacional e o descaso governamental como desafios para a plena longevidade da sociedade.

Diante desse cenário, nota-se que a dificultosa promoção de um futuro digno à terceira idade advém de um processo de desenvolvimento nacional pautado na exclusão socioespacial. Isso pode ser constatado, de forma evidente, pois o país, desde o período do Brasil Colônia, foi construído por práticas violentas (como a promulgação da Lei dos Sexagenários), as quais visavam à marginalização de escravizados com mais de 60 anos em detrimento da inserção respeitosa dessa parcela da população no cotidiano brasileiro. Nesse sentido, essa atitude segregacionista mascara, há gerações, a necessidade de reverter esse revés e naturaliza, nos dias atuais, o silenciamento desenfreado dos idosos, produzindo culturalmente a ideia de inferioridade desse grupo. Assim, torna-se inegável o contínuo retrocesso da nação a cerca do reconhecimento da velhice como importante e inevitável, à medida que a manutenção de raízes históricas degradantes existe.

Ademais, é fundamental ressaltar que a negligência estatal perpetua a aversão social ao inerente envelhecimento populacional. Essa questão se intensifica, na atualidade, ao passo que o Brasil não possui uma campanha nacional concreta e eficaz de estímulo à qualidade de vida da terceira idade. Tal panorama foi estudado pelo pesquisador Ruy Braga, o qual, a partir de uma perspectiva crítica voltada à realidade latino-americana, verbaliza que a ausência de um modelo assistencial inclusivo e socialmente comprometido permite o não reconhecimento dos idosos como integrantes ativos da sociedade. Sob essa ótica, o posicionamento do estudioso é válido, visto que políticas públicas ineficientes possibilitam a precarização do bem-estar da terceira idade, de modo a qualificar essa faixa etária como pouco importante para a edificação da nação - suprimindo o seu futuro salutar. Por isso, essa situação hostil precisa ser revertida.

É premente, portanto, uma medida que perpetue perspectivas positivas ao envelhecimento populacional. Logo, cabe ao poder Executivo Federal — mais especificamente ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania — fomentar o respeito à terceira idade. Tal ação ocorrerá por meio da criação do “Projeto Nacional Vida Feliz”, o qual engajará debates públicos — ministrados por idosos —, nos 5570 municípios brasileiros, a fim de desmistificar ideais advindos da colonização do Brasil e de protagonizar a atuação de pessoas idosas no combate direto e frontal à marginalização sofrida por elas, culminando na promoção da dignidade a essa parte da sociedade. Afinal, não é aceitável que, em um país democrático, a população envelhecida seja, como denunciado por Clarice, invisibilizada.

Caio Silva Braga

Em "O Karaíba", o autor indígena Daniel Munduruku traz narrativas dos povos originários no Brasil pré-cabralino. Nessa obra, ele retrata elementos característicos das culturas e dos costumes das comunidades tradicionais, como o respeito aos mais velhos e à sua sabedoria. Nesse contexto, é nítido que a perspectiva dos personagens do livro não reflete a forma como a sociedade brasileira enxergou o envelhecimento ao longo do tempo, tampouco as tendências mais modernas disso.

Historicamente, no Brasil, envelhecer é um privilégio, não um direito. Isso é evidenciado por estratégias de manutenção da ordem social implementadas pelas elites, como a promulgação da Lei do Sexagenário — uma das leis pré-abolicionistas, que libertava escravizados maiores de sessenta anos. Ao contrário do senso comum, que vê essa medida como uma conquista para eles, a historiografia entende que essa medida não tinha intenções reais de oferecer liberdade a essas pessoas, pois suas expectativas de vida eram baixíssimas. Nesse cenário, portanto, envelhecer não era uma oportunidade para todos os brasileiros, mas um privilégio de alguns.

Por outro lado, correntes contemporâneas de pensamento colocam os idosos e o envelhecimento em outras posições: de enfrentamento ao etarismo, de atividade física e econômica e de engajamento político e social. Um exemplo disso é o filme estrelado por Fernanda Montenegro, em 2025, "Vitória", em que a atriz interpreta uma senhora em uma comunidade periférica no Rio de Janeiro e expõe suas denúncias contra a violência e o tráfico onde vive. Sob essa óptica, a figura do idoso deixa um espaço de fragilidade e impotência e passa a assumir protagonismo de sua própria vida.

Dessa forma, tendo em vista as múltiplas perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira, é necessário que o Ministério da Educação, por meio de iniciativas de capacitação e autonomia para idosos — como o "projeto envelhecer" do Cin-UFPE, que os ensina a conviver no ambiente digital — atue na formação dessas pessoas para que resgatem sua independência bem.

Rodrigo Fortes

O filme "O agente secreto", escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho, apresenta a Dona Sebastiana, uma carismática mulher idosa e dona do Edifício Ofir, que é um prédio em que refugiados políticos da Ditadura Empresarial-Militar do Brasil são abrigados. Nesse espaço, os moradores vangloriam a Sebastiana e a enxergam como a "guardiã" do local. No entanto, contrariando essa visão positiva da figura da velhice roteirizada por Kleber, para além das telas, a sociedade brasileira tem lido o envelhecimento de modo desrespeitoso e violento. Acerca disso, verifica-se que a mídia de massa e as famílias são as principais responsáveis por essa perspectiva etarista, o que compromete a saúde mental e a saúde financeira desse grupo oprimido. Logo, é preciso analisar a má influência midiática e a lacuna familiar nesse cenário cruel.

Sob esse prisma, culpa-se a influência negativa da mídia por tal mazela idadista. Afirma-se isso, pois diversas produtoras audiovisuais estereotipam a velhice em suas obras, prejudicando o estado psicológico de quem está nessa fase da vida. A esse respeito, o cineasta brasileiro Marcos Magalhães, em seu curta-metragem "Meow!", denuncia o fato de a indústria midiática moldar padrões de pensamentos dentro do corpo social. Frente a essa crítica cinematográfica, vê-se que a realidade do Brasil confirma tal denúncia, já que muitas são as emissoras e produtoras de televisão e de cinema que, em séries, em filmes e em novelas, retratam personagens idosos de maneira estigmatizada, ou seja, fora de papéis de protagonismo e dentro de enredos limitados ao "ser velho", isto é, ser frágil e "descartável", moldando a perspectiva acerca do envelhecimento dos telespectadores. Esse processo de construção da imagem do idoso na mídia vai de encontro à dinâmica de construção da imagem do jovem (geralmente, representado como protagonista, forte e essencial para a trama), afinal, o objetivo é atrair a audiência desse público, o qual costuma ser muito engajado nas redes sociais, gerando mais visibilidade às produções (com seus comentários) e, claro, mais lucro. Em efeito, a partir dessa visão de "descartabilidade" que a mídia molda, produz e reproduz, conforme alerta Magalhães, várias pessoas idosas, fora das telas, são vistas e taxadas como inúteis (uma espécie de "peso" para a sociedade), sofrendo violências verbais nesse sentido, as quais abalam seu estado mental e geram, muitas vezes, quadros depressivos.

Além disso, vale responsabilizar a postura familiar por esse triste panorama. Tal responsabilização é necessária, porque, infelizmente, é comum que famílias não possibilitem o letramento digital para os mais velhos, fragilizando sua saúde econômica. Seguindo esse raciocínio, Virginia Satir, psicoterapeuta referência nos estudos de terapia familiar, afirma que a família precisa assumir a sua função de formar e, sobretudo, reformar o indivíduo, para que ele seja, positivamente, inserido nas engrenagens sociais. Contudo, quando os idosos não recebem instruções quanto ao uso de aparelhos tecnológicos no ambiente doméstico, por exemplo, quanto à utilização do celular para acessar bancos digitais e à navegação nas redes sociais para identificar mensagens suspeitas (como de golpistas estelionatários), a afirmação de Satir é desconsiderada, haja vista a violenta perda da função "reformadora" citada. Nessa lógica, entende-se que essa conduta reprovável é motivada pela concepção equivocada (fomentada pelo discurso midiático supracitado) de que idosos não precisam "avançar" em seus conhecimentos, mas, na verdade, somente esperar pelo momento do seu "descarte" — a morte. Por conseguinte, ao se reforçar o contraste à ideia de Satir, o envelhecimento se torna uma fase, cada vez mais, excluída digitalmente, o que faz com que diversos idosos não consigam gerir as próprias contas bancárias (por desconhecerem o funcionamento dos bancos digitais) e, ainda, sejam vítimas de golpes virtuais (por não entenderem a dinâmica da internet), tendo, assim, a saúde financeira e o bem-estar afetados.

Portanto, a manipulação midiática e a falha familiar, frente às perspectivas acerca do envelhecimento no Brasil, devem ser combatidas. Com essa finalidade, as emissoras e produtoras de televisão e de cinema (por exemplo, a Globo e a Vitrine) precisam produzir séries, filmes e novelas em que personagens idosos são essenciais para a trama e não são estereotipados (como a Dona Sebastiana, em "O agente secreto"), por meio do substancial direcionamento de verbas a essas produções, a fim de reduzir a estigmatização da velhice na mídia. Ademais, as famílias têm de letrar digitalmente os idosos, com o objetivo de que eles não sejam excluídos do universo tecnológico. Desse modo, consequentemente, a visão respeitosa do envelhecimento, escrita por Kleber, será uma realidade.

Laryssa Melo

A Constituição Federal de 1988 garante a todos os brasileiros o direito ao respeito e à dignidade humana, incluindo os idosos. Entretanto, as perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira, as quais são, em sua maioria, negativas, podem contrariar o texto constitucional. Isso ocorre devido à escassez de fiscalização e ao preconceito e deve, pois, ser alterada urgentemente.

De início, vale destacar que a escassez de fiscalização é uma grave falha estatal. Nesse sentido, cabe referenciar a Lei Orçamentária Anual (LOA), a qual indica quanto deve ser investido em cada setor, priorizando algumas áreas e subfinanciando outras. A exemplo destas, cabe citar o ramo de fiscalização, com destaque para o cumprimento de leis que priorizam o idoso, o qual recebe somente cerca de um por cento de verbas para seu funcionamento, o que compromete a qualidade de seus serviços. Essa precarização pode ser vista na falta de profissionais especializados nesse setor e no não envio constante de fiscalizações para locais necessitados da atividade, por exemplo. Muitos lugares, como “shoppings” e mercados possuem, por lei, vagas exclusivas para pessoas com mais de sessenta anos e filas prioritárias. No entanto, muitas vezes, tais normas são desrespeitadas tanto por clientes, quanto por funcionários, os quais, sem a devida vigilância, continuam a infringir leis que asseguram os direitos dos mais velhos, demonstrando uma perspectiva negativa acerca do envelhecimento populacional. Urge, então, uma mudança nesse cenário adverso.

Ademais, o preconceito contra anciãos, denominado etarismo, agrava o problema. Nesse contexto, cabe fazer menção ao pensamento de Albert Einstein, segundo o qual é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Tal premissa se verifica na sociedade brasileira na medida em que grande parte da população possui uma visão inadequada acerca dos idosos, percebendo-os como incapazes e fracos para realizar qualquer atividade e compromisso, o que acarreta a não aceitação, muitas vezes, de pessoas com idade mais avançada no mercado de trabalho e a apropriação de renda do idoso por parte dos familiares, por exemplo. Assim, há o predomínio de uma perspectiva errônea e prejudicial quanto ao envelhecimento da sociedade. Logo, é necessária a reversão dessa conjuntura brasileira.

Portanto, cabe ao governo do Brasil, responsável pelo bem-estar social, promover uma melhoria nos serviços fiscalizatórios por meio de maiores investimentos nesse setor, a fim de que as leis e as normas que garantem os direitos dos maiores de sessenta anos sejam devidamente cumpridas. Além disso, cabe ao Estado realizar campanhas sobre as perspectivas positivas do envelhecimento, com o fito de que as ideias equivocadas sobre os idosos sejam desfeitas rapidamente.

Carlos Eduardo Gomes

O sociólogo e professor Boaventura de Sousa Santos afirma que a sociedade vive uma “sociologia das ausências”, uma vez que os saberes e o modo de vida de determinados grupos tendem a ser invisibilizados por não se encaixarem na lógica da racionalidade ocidental. Nesse sentido, ao analisar o hodierno contexto brasileiro, é perceptível que a população idosa é marcada pela sociologia defendida pelo professor, já que o envelhecimento desses indivíduos testemunha um descaso social de desassistência e preconceito, marcado por perspectivas que dificultam a qualidade de vida e a inclusão social. Por isso, urge uma discussão sobre essa problemática, a qual é sustentada não só pela negligência estatal, mas também pela omissão midiática.

Diante desse cenário, faz-se mister mencionar a ausência de políticas públicas de saúde para a população idosa como um dos fatores dessa estigmatização. Nessa ideia, verifica-se que esse panorama é facilmente encaixado no conceito de “necropolítica”, descrito pelo filósofo Achille Mbembe para explicar o poder do Estado de decidir quem pode viver e quem deve morrer. Partindo dessa lógica, o “deixar morrer” é visível quando se observa a realidade de milhares de idosos na comunidade brasileira, haja vista que a omissão dos órgãos estatais afeta a qualidade de vida, evidenciada pelo não destino de verbas que garantam o desenvolvimento de atividades físicas e interativas nos Centros de Referência Especializado e de Assistência Social (CREAS), além da ausência de campanhas preventivas, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), para doenças que acometem essa idade, como diabetes e hipertensão. Consequentemente, perpetua-se uma sociedade que marginaliza o envelhecimento e que sofre com os impactos causados por essa desassistência: o aumento de doenças e, com isso, o aumento de gastos públicos. Logo, fica clara a necessidade de reformular essa postura do Estado urgentemente.

Outrossim, é válido destacar, também, que a inexistência de abordagens midiáticas sobre a importância do envelhecimento configura-se como uma das causas desse imbróglio. Segundo o filósofo estadunidense Noam Chomsky, em sua obra “A fabricação do consentimento”, afirma que a maneira mais inteligente de manter as pessoas passivas é limitar o seu espectro de opinião e criticidade. Nessa acepção, conclui-se que esse comportamento intencional legitimado pelo filósofo é visualizado na agenda dos aparelhos midiáticos que envolve o envelhecimento devido à mentalidade etarista que se expressa, principalmente, pela não abordagem da importância da inclusão profissional e da representatividade em espaços importantes — a exemplo de cargos políticos e vagas em universidades — desses indivíduos. Por conseguinte, cria-se uma malha social que distancia a população idosa do convívio social, relegando-os à solidão e à passividade social. Assim, enquanto persistir essa exclusão midiática, jamais será possível atenuar esse óbice.

Portanto, cabe ao Poder Executivo, por meio do Ministério da Saúde — órgão responsável pelas diretrizes nacionais do sistema de saúde — em parceria com os CREAS, desenvolver atividades físicas de grupo e movimentos interativos, como dança e pintura, que despertem a população idosa para o cuidado físico, bem como campanhas de prevenção nas UBS às doenças da terceira idade, com a finalidade de garantir uma qualidade de vida saudável. Além disso, os veículos midiáticos devem retratar a personalidade do envelhecimento em figuras e espaços de poder para combater o idadismo. A partir dessas execuções, as perspectivas do envelhecimento no Brasil serão outras, agora não mais a da “sociologia das ausências”.

Lucas Rodrigues

O livro "A casa dos budas ditosos", escrito pelo baiano João Ubaldo Ribeiro, conta a história de CLB, uma idosa que, enfrentando estereótipos associados à velhice, mantém-se ativa e se recusa a encarar a senescência como fim. Para além da literatura, contudo, são outras as perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira: cada vez mais há idosos doentes, invisibilizados e inativos. Nesse sentido, estabelece-se um cenário hostil, sustentado pelo Estado e pelas empresas, que prejudica a qualidade de vida e acelera a morte. A vista disso, tanto o descaso estatal quanto a má conduta do setor privado impulsionam esse problema.

Sob essa lógica, convém destacar a negligência do Estado como agravante dessa problemática. Isso ocorre, porque tal instituição não oferece políticas em quantidade e eficiência suficientes para os idosos, comprometendo a sua qualidade de vida. Acerca disso, Achille Mbembe, filósofo camaronês, afirma, a partir de seu conceito de "Necropolítica", que o Estado decide quem vive e quem é destinado a um projeto de morte. Nesse rumo, percebe-se que a ideia do filósofo é assertiva e aplicável ao contexto do envelhecimento na sociedade brasileira, uma vez que, devido à composição hegemônica do corpo político (deputados e senadores majoritariamente distantes dos 65 anos, isto é, alheios à realidade da velhice), são escassas as políticas públicas, como a garantia de de equipes especializadas em geriatria nas UBS, destinadas a esse público. Em efeito, sem, por exemplo, enfermeiros e médicos em quantidade e capacitação adequadas nos sistemas públicos de saúde, os idosos, cada vez mais, sobrevivem sem condições dignas de vida. Dessa forma, fica claro que a parcialidade na distribuição de qualidade de vida, comprometida pelo Estado e criticada por Mbembe, é nociva ao bom envelhecimento dos cidadãos do Brasil.

Outrossim, cabe analisar a má conduta das empresas como fortalecedora dessa questão. Afirma-se isso, pois grande parte do setor privado não se preocupa com a senescência dos funcionários, acelerando a sua morte. Sob tal contexto, Jim Collins, empresário norte-americano, afirma que a mentalidade empresarial é egoísta e gananciosa. Nesse viés, a afirmação de Collins é verdadeira, já que, pela motivação gananciosa de maximizar seus lucros, muitas empresas não garantem uma vida ativa aos seus colaboradores idosos, deixando, por exemplo, de investirem em programas como o "Gympass" (um plano que dá acesso a diversas academias e atividades esportivas). Por conseguinte, esses cidadãos, muitos sobrecarregados com jornadas exaustivas de trabalho, acumulam comorbidades, a exemplo da obesidade, ou doenças psíquicas, como a ansiedade, o que pode acelerar a sua morte. Dessa maneira, é evidente que a conduta egoísta das empresas, exposta por Collins, prejudica o envelhecimento dos brasileiros.

Portanto, devem ser resolvidas a negligência estatal e a má conduta do setor privado enquanto obstáculos para o envelhecimento de qualidade no Brasil. Com essa finalidade, é preciso que o Estado, principal idealizador e aplicador das políticas públicas do país, por meio de parceria com o setor privado, crie políticas públicas mais assertivas e direcionadas à terceira idade, com foco em saúde e atividade física, a fim de garantir o envelhecimento ativo e, consequentemente, mitigar esse problema. Assim, a perspectiva acerca da senescência na sociedade brasileira se aproximará da perspectiva de CLB.

Bruna Tavares

No filme "O Senhor Estagiário", é retratada a dificuldade de inserção de um homem idoso no ambiente laboral, onde ele sofre preconceitos relacionados à sua idade e à sua capacitação profissional. Fora da ficção, a problemática abordada na trama faz-se cada vez mais presente no cenário brasileiro, haja vista o progressivo envelhecimento populacional no país. Diante disso, é crucial analisar a escassez de políticas assistenciais voltadas aos idosos e o etarismo como mazelas referentes a tal fenômeno social.

Sob essa ótica, vale frisar a insuficiência de auxílios governamentais à crescente população idosa. Acerca disso, cabe mencionar que o Estatuto do Idoso prevê a garantia da qualidade de vida dos idosos brasileiros, por meio, por exemplo, do acesso pleno à aposentadoria. Entretanto, tal premissa não se consolida integralmente no Brasil, uma vez que considerável parcela dos indivíduos mais velhos — em especial os mais pobres - não usufrui de benefícios e de serviços essenciais à manutenção de seu bem-estar, como atendimentos de saúde regulares. Isso ocorre em razão do ínfimo investimento estatal em políticas assistenciais voltadas ao público idoso, a título de auxílio financeiro e da oferta de tratamento médico gratuito em hospitais públicos. Em consequência disso, muitos idosos, incapazes de custear as próprias necessidades - frequentemente devido à falta de renda na velhice — e carentes de um suporte governamental, ficam ainda mais vulneráveis ao desenvolvimento de enfermidades que exigem tratamentos e acompanhamento adequados, como o Mal de Alzheimer.

Outrossim, os preconceitos associados à população mais velha são outro empecilho relacionado ao envelhecimento populacional. Nessa lógica, em sua obra "A Velhice", Simone de Beauvoir afirma que a sociedade visualiza os idosos como indivíduos inválidos, incapazes de contribuir com o corpo social. A perspectiva estigmatizada denunciada pela socióloga configura o etarismo, preconceito que dificulta a integração de idosos em determinados espaços sociais, como as universidades. Posto isto, tal visão deturpada se perpetua devido à falta de projetos midiáticos que visem desconstruir os supracitados estigmas, a exemplo de programas televisivos que abordem a participação de pessoas mais velhas no mercado de trabalho (com exemplos reais). Dessa forma, a persistência da rejeição social à inserção dos idosos na dinâmica social contribui para a marginalização e para a dificuldade de sustento e de realização pessoal desse grupo.

Portanto, cabe às secretarias estaduais e municipais promover a disponibilidade de programas assistenciais à parcela idosa, mediante a destinação de verbas, a fim de garantir o acesso aos serviços fundamentais a esse grupo (a exemplo do atendimento médico), promovendo, assim, a qualidade de vida dessas pessoas. Ademais, a Mídia deve exibir programas televisivos com o fito de desconstruir o etarismo no Brasil, evitando realidades como a retratada em "O Senhor Estagiário".
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