Exemplos de Redações nota 1000 no ENEM 2025
A redação é a parte mais importante na prova do ENEM, pois é a única nota em que é possível alcançar 1000 pontos e muitas universidades dão um peso maior a redação.
Por esse motivo é essencial que você estude e treine para a Redação do ENEM. Para isso selecionamos as redações de alguns alunos que tiraram nota 1000 na redação do ENEM 2025 cujo tema foi Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira Confira abaixo:
Redação de Bruna Tavares
No filme "O Senhor Estagiário", é retratada a dificuldade de inserção de um homem idoso no ambiente laboral, onde ele sofre preconceitos relacionados à sua idade e à sua capacitação profissional. Fora da ficção, a problemática abordada na trama faz-se cada vez mais presente no cenário brasileiro, haja vista o progressivo envelhecimento populacional no país. Diante disso, é crucial analisar a escassez de políticas assistenciais voltadas aos idosos e o etarismo como mazelas referentes a tal fenômeno social.
Sob essa ótica, vale frisar a insuficiência de auxílios governamentais à crescente população idosa. Acerca disso, cabe mencionar que o Estatuto do Idoso prevê a garantia da qualidade de vida dos idosos brasileiros, por meio, por exemplo, do acesso pleno à aposentadoria. Entretanto, tal premissa não se consolida integralmente no Brasil, uma vez que considerável parcela dos indivíduos mais velhos — em especial os mais pobres - não usufrui de benefícios e de serviços essenciais à manutenção de seu bem-estar, como atendimentos de saúde regulares. Isso ocorre em razão do ínfimo investimento estatal em políticas assistenciais voltadas ao público idoso, a título de auxílio financeiro e da oferta de tratamento médico gratuito em hospitais públicos. Em consequência disso, muitos idosos, incapazes de custear as próprias necessidades - frequentemente devido à falta de renda na velhice — e carentes de um suporte governamental, ficam ainda mais vulneráveis ao desenvolvimento de enfermidades que exigem tratamentos e acompanhamento adequados, como o Mal de Alzheimer.
Outrossim, os preconceitos associados à população mais velha são outro empecilho relacionado ao envelhecimento populacional. Nessa lógica, em sua obra "A Velhice", Simone de Beauvoir afirma que a sociedade visualiza os idosos como indivíduos inválidos, incapazes de contribuir com o corpo social. A perspectiva estigmatizada denunciada pela socióloga configura o etarismo, preconceito que dificulta a integração de idosos em determinados espaços sociais, como as universidades. Posto isto, tal visão deturpada se perpetua devido à falta de projetos midiáticos que visem desconstruir os supracitados estigmas, a exemplo de programas televisivos que abordem a participação de pessoas mais velhas no mercado de trabalho (com exemplos reais). Dessa forma, a persistência da rejeição social à inserção dos idosos na dinâmica social contribui para a marginalização e para a dificuldade de sustento e de realização pessoal desse grupo.
Portanto, cabe às secretarias estaduais e municipais promover a disponibilidade de programas assistenciais à parcela idosa, mediante a destinação de verbas, a fim de garantir o acesso aos serviços fundamentais a esse grupo (a exemplo do atendimento médico), promovendo, assim, a qualidade de vida dessas pessoas. Ademais, a Mídia deve exibir programas televisivos com o fito de desconstruir o etarismo no Brasil, evitando realidades como a retratada em "O Senhor Estagiário".
Redação de Lucas Rodrigues
O livro "A casa dos budas ditosos", escrito pelo baiano João Ubaldo Ribeiro, conta a história de CLB, uma idosa que, enfrentando estereótipos associados à velhice, mantém-se ativa e se recusa a encarar a senescência como fim. Para além da literatura, contudo, são outras as perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira: cada vez mais há idosos doentes, invisibilizados e inativos. Nesse sentido, estabelece-se um cenário hostil, sustentado pelo Estado e pelas empresas, que prejudica a qualidade de vida e acelera a morte. A vista disso, tanto o descaso estatal quanto a má conduta do setor privado impulsionam esse problema.
Sob essa lógica, convém destacar a negligência do Estado como agravante dessa problemática. Isso ocorre, porque tal instituição não oferece políticas em quantidade e eficiência suficientes para os idosos, comprometendo a sua qualidade de vida. Acerca disso, Achille Mbembe, filósofo camaronês, afirma, a partir de seu conceito de "Necropolítica", que o Estado decide quem vive e quem é destinado a um projeto de morte. Nesse rumo, percebe-se que a ideia do filósofo é assertiva e aplicável ao contexto do envelhecimento na sociedade brasileira, uma vez que, devido à composição hegemônica do corpo político (deputados e senadores majoritariamente distantes dos 65 anos, isto é, alheios à realidade da velhice), são escassas as políticas públicas, como a garantia de de equipes especializadas em geriatria nas UBS, destinadas a esse público. Em efeito, sem, por exemplo, enfermeiros e médicos em quantidade e capacitação adequadas nos sistemas públicos de saúde, os idosos, cada vez mais, sobrevivem sem condições dignas de vida. Dessa forma, fica claro que a parcialidade na distribuição de qualidade de vida, comprometida pelo Estado e criticada por Mbembe, é nociva ao bom envelhecimento dos cidadãos do Brasil.
Outrossim, cabe analisar a má conduta das empresas como fortalecedora dessa questão. Afirma-se isso, pois grande parte do setor privado não se preocupa com a senescência dos funcionários, acelerando a sua morte. Sob tal contexto, Jim Collins, empresário norte-americano, afirma que a mentalidade empresarial é egoísta e gananciosa. Nesse viés, a afirmação de Collins é verdadeira, já que, pela motivação gananciosa de maximizar seus lucros, muitas empresas não garantem uma vida ativa aos seus colaboradores idosos, deixando, por exemplo, de investirem em programas como o "Gympass" (um plano que dá acesso a diversas academias e atividades esportivas). Por conseguinte, esses cidadãos, muitos sobrecarregados com jornadas exaustivas de trabalho, acumulam comorbidades, a exemplo da obesidade, ou doenças psíquicas, como a ansiedade, o que pode acelerar a sua morte. Dessa maneira, é evidente que a conduta egoísta das empresas, exposta por Collins, prejudica o envelhecimento dos brasileiros.
Portanto, devem ser resolvidas a negligência estatal e a má conduta do setor privado enquanto obstáculos para o envelhecimento de qualidade no Brasil. Com essa finalidade, é preciso que o Estado, principal idealizador e aplicador das políticas públicas do país, por meio de parceria com o setor privado, crie políticas públicas mais assertivas e direcionadas à terceira idade, com foco em saúde e atividade física, a fim de garantir o envelhecimento ativo e, consequentemente, mitigar esse problema. Assim, a perspectiva acerca da senescência na sociedade brasileira se aproximará da perspectiva de CLB.
Correção de redação instantânea, detalhada e gratuita. Curso, apostila e materiais para evoluir sua nota na redação ENEM.
Últimos conteúdos
GRQTECH SISTEMAS DE INFORMACAO LTDA 33.841.042/0001-04