Exemplos de Redações Nota máxima das últimas edições da Fuvest
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Exemplos de Redações Nota máxima das últimas edições da Fuvest

Está estudando para a redação da Fuvest? Veja exemplos de Redações Nota Máxima das edições anteriores do exame.

Exemplos de Redações Nota máxima das últimas edições da Fuvest

Escrito por Prof. Raquel Lima

Atualizado em 18 de Janeiro de 2023

Encarar a prova da Fuvest para garantir uma vaga na USP não é tarefa fácil, afinal a Universidade de São Paulo é a instituição de ensino superior mais respeitada e concorrida do Brasil.

Então para te ajudar a garantir a sua tão sonhada aprovação eu separei Redações que garantiram a nota máxima na prova, que é 50 pontos. Dessa maneira você conseguirá perceber o que elas têm em comum e saberá do que seu texto precisa. Bora lá?

Exemplo de Redação - FUVEST 2019

Confira abaixo a redação sobre A importância do passado para se compreender o presente:

A importância fundamental da experiência histórica.

Às vésperas do aniversário da ditadura brasileira, Jair Bolsonaro autorizou as forças armadas a celebra-la abertamente. Sob o viés distorcido da “liberdade de expressão”, essa atitude ignora as violações dos direitos humanos desse vergonhoso período e sinaliza para a incapacidade do presidente de refletir sobre os fatos históricos, extraindo deles conhecimentos que reconheçam inegáveis assimetrias de poder e expressem empatia pela dor alheia. Tal posição, infelizmente, não é um caso isolado, e levanta o questionamento de como o passado pode contribuir para entender-se o presente e, talvez, melhorar-se o futuro.

Em primeiro lugar, é importante compreender que, ao contrário do que se imaginava, a ciência histórica fala de agora. Ela dialoga com a atualidade à medida que constrói a sua tessitura. Dessa forma, a simples exposição a eventos pontuais da História - e a sua posterior arguição, como ocorre na escola - é insuficiente para a assimilação plena da sua complexidade, pois os fatos parecem distantes ao ouvinte. Isso ocorre porque uma palestra difere drasticamente da experiência. Talvez a maior prova disso resida no racismo institucional ainda tão presente no mundo, mas sistematicamente negado hoje por um progressivo pós moderno que omite o seu senso de superioridade branca e afirma que negros foram escravos, no passado. No entanto, nota-se que essa narrativa não se sustenta em espaços de vivência negra, e é vigorosamente refutada como quando a escola de samba Paraíso do Tuiuti contou em 2018 que a escravidão não acabou, ou quando a Mangueira falou sobre heróis negros, raramente especificado em sala de aula.

Analogamente, experiências femininas comuns, naturalizadas pela sociedade, até pouco tempo ainda eram ignoradas, mesmo que a História se empenhasse em retratá-la. Assim, saber sobre a batalha das sufragistas pelo direito ao voto, ou abordar a literatura feminista de Jane Austen, seja em instituições de ensino, seja em manifestações artísticas populares como o cinema, não basta para se entender que a igualdade entre os gêneros ainda resguarda pendências, como a violência doméstica e o assédio. Essas agressões são sustentadas pela ideia de que mulheres provocam a hostilidade contra si, e que a aproximação não consentida, resultado da sua lascividade inata, é um enaltecimento à sua aparência que deveria ser reconhecido, e não repelido. Todavia, assim como negros manifestam seus descontentamentos, têm-se vista como mulheres vêm se organizando para denunciar abusos sexuais, mobilizações que resultaram no processo contra Kevin Spacey nos Estados Unidos, e na lei brasileira de importunação sexual, conquistas que contribuem para esclarecer que estupros jamais são desejados e que a proximidade deve ser autorizada.

Em suma, fica claro que o passado tem o potencial de contribuir para interpretações mais adequadas do presente, mas é essencial que ele seja sempre revisitado. Para que isso se efetive, um movimento dialógico contínuo entre diferentes camadas da sociedade, insatisfeitas com o status quo, deve ser alimentado, caso contrário incorre-se no eterno risco de se transformar a História em um objeto longínquo e superado, além de se ignorar o caráter histórico da própria existência.

Esse texto está disponível aqui.

Exemplo de Redação - FUVEST 2020

Dá uma olhada nessa redação sobre o tema A ciência e o seu papel no mundo contemporâneo:

Cara ou coroa: o papel ambíguo da ciência no mundo contemporâneo

"Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas": tal ideia resume a teoria humanitista apregoada pelo filósofo Quincas Borba, da obra homônima de Machado de Assis. Conforme se apreende dessa fala, o personagem concebia a vida por meio da sua associação a um campo estratégico de luta, tal como representavam, metaforicamente, as duas tribos antagônicas em disputa pela sobrevivência. Destarte, o humanitismo, não por acaso, é frequentemente tido como uma sátira às correntes cientificistas típicas do século XIX e, em especial, ao darwinismo social defendido por Herbert Spencer, que previa a seleção natural dos indivíduos mais adaptados ao meio, de modo análogo ao proposto por Darwin na Biologia. Sob tal perspectiva, em um mundo cada vez mais globalizado, o acesso ao conhecimento e às tecnologias digitais, notadamente desigual, tem se tornado constante alvo de cobiça, norteando as relações de poder existentes e ressignificando o papel conferido à ciência no cenário contemporâneo.

Desde a Antiguidade, contudo, a razão tem sido objeto de discussão na Filosofia, sendo colocada, inclusive, como pilar principal da sociedade justa idealizada por Platão na célebre obra "A República". Durante a Idade Média, por sua vez, a Igreja Católica exercia, de certa forma, um monopólio sobre o conhecimento, adequando-o à visão religiosa e utilizando-o como instrumento de dominação. Nesse sentido, o período medieval foi intitulado, pelos pensadores iluministas, de "Idade das Trevas", expressão que se opunha àquela usada por eles para se referir ao século XVIII, o "Século das Luzes". De modo alegórico, a mencionada antítese refletia o caráter que então se pretendia dar ao conhecimento cientifico, capaz de afugentar o breu da ignorância e, como uma lanterna, iluminar o caminho a ser seguido em direção ao aperfeiçoamento da sociedade, pensamento posteriormente reforçado pelo filósofo francês Auguste Comte. Em sua visão teleológica, o intelectual elaborou a Teoria dos Três Estágios, elencando a ciência como meio a partir do qual a humanidade poderia evoluir até atingir o Estágio Positivo ou Científico, que simbolizaria o máximo grau de desenvolvimento.

Sem embargo, a despeito dos discursos iluminista e positivista, o aprimoramento do conhecimento evidenciou outras contradições: a Revolução Industrial inaugurou novas relações de exploração; as Guerras Mundiais estimularam a criação de armamentos potencialmente destrutivos; a Guerra Fria tornou a ciência um campo, agora oficial, de disputa; e a globalização incentivou o surgimento de uma nova maneira de exclusão social, vinculada ao acesso desigual às tecnologias digitais. A partir disso, pode-se perceber a clara materialização da teoria desenvolvida pelos frankfurtianos Theodor Adorno e Max Horkheimer, responsáveis por analisar a denominada "razão instrumental". Segundo eles, o conhecimento teria se tornado um importante instrumento de dominação, ampliando a capacidade de interferência do homem sobre a natureza, como corrobora a intensificação de problemas ambientais, e sobre o próprio homem, a exemplo do emprego de tecnologia nuclear como forma de dissuasão no contexto geopolítico mundial.

Desse modo, em virtude dos aspectos abordados, constata-se o papel ambíguo da ciência na realidade contemporânea, pois, paralelamente às facilidades de transporte, comunicação e entretenimento disponíveis atualmente, fica evidente que a instrumentalização da razão representa uma fonte propulsora das hodiernas relações de poder. Consequentemente, apesar de desafiador, o uso consciente e democrático da ciência é indispensável para rechaçar a situação de permanente guerra prevista pela teoria humanitista e consolidar o conhecimento como alicerce do tão almejado desenvolvimento, conforme sonhavam Platão e Comte.

Essa redação está disponível aqui.

Exemplo de Redação - FUVEST 2021

Confira abaixo a redação sobre O mundo contemporâneo está fora de ordem?

“Ao vencedor, as batatas!”

O “Humanitismo”, teoria filosófica usada no livro “Quincas Borba”, de Machado de Assis, apresenta como máxima: “Ao vencedor, as batatas, ao perdedor, o ódio ou a compaixão”. Esse princípio, além de exemplificar a própria obra, também se configura como uma ordem para organização da sociedade: instaurar a competição permanente entre os indivíduos e, assim, além de excluir os perdedores, deve-se permitir que os vencedores validem essa exclusão a partir do ganho de recompensas. Sendo assim, esse princípio ultrapassa a ficção e aplica-se na configuração da sociedade atual, criando - a partir dos próprios indivíduos -, involuntariamente, uma nova ordem mundial, que seleciona, de forma artificial, os habitantes que devem ser inclusos socialmente. Dessa forma, o mundo contemporâneo não se encontra desordenado, mas sim pautado na ordem da competição e da exclusão atual.

Vale ressaltar, sob essa perspectiva, que a base da competição social é caracterizada pela tentativa de se alcançar a construção imagética do vencedor, essa que se dá a partir da padronização do comportamento humano – utilizando, principalmente, o desejo de consumo -, associado à criação de uma ideologia pautada na meritocracia, produtividade e passividade. Isso desencadeia, por sua vez, a difusão e incorporação social da tal imagem a ser alcançada, símbolo do sucesso socioeconômico e modelo a ser seguido. Consequentemente, todo o corpo da sociedade passa a interagir buscando essa simbologia, competindo permanentemente entre si, seja no mercado de trabalho, seja a partir das interações sociais. Sendo assim, essa constante luta irracional por um objetivo ficcional é característica da “sociedade do espetáculo” – princípio criado pelo pensador Guy Debord -, a qual se afirma que os indivíduos abdicam da racionalidade na busca por um ideal imagético e isso legitima, assim, essa competição interna. Logo, a ordem contemporânea, ao utilizar do ideal do vencedor, busca consolidar seus próprios princípios.

Considera-se, além disso, que os indivíduos, vítimas da competitividade contemporânea, que permanecem distantes do ideal do vencedor, passam a ser intitulados como “perdedores sociais”, passíveis, então, de exclusão do ambiente em que vivem. Essa exclusão, por sua vez, pode ser realizada de forma indireta, através da carência de acesso a direitos e a recursos básicos para a dignidade humana, ou de forma direta, realizada através da institucionalização da violência e o uso dela por setores poderosos na sociedade. Assim, o sistema organizado passa a repercutir o que o filósofo contemporâneo Achille Mbembe passou a chamar de “necropolítica”, que se caracteriza a partir da ação organizada dos Estados no mundo todo ao definir “o sujeito que deve morrer”, ou seja, as minorias de uma sociedade, além de excluídas dos benefícios institucionais, também passam a ser vítimas de genocídios para sua eliminação da população, o que caracteriza, dessa forma, sua derrota frente à competição social atual. Sendo assim, a ordem no mundo contemporâneo determina a exclusão dos “perdedores” do século XXI.

Portanto, o princípio do “Humanitismo”, aplicado à geração atual, determina, de forma direta, aqueles que devem ser beneficiados pela validação social e, assim, detentores das “batatas”, e aqueles perdedores da competição instaurada, passíveis de exclusão. Assim, esse processo se dá a partir da espetacularização do indivíduo de sucesso, como ideal de vencedor e modelo final a ser alcançado. Paralelo a isso, a “necropolítica” instrumentaliza a eliminação dos perdedores, a fim de manter a seleção artificial atual. Sendo assim, consolida-se a ordem da competição, norteadora do mundo contemporâneo.

Esse texto está disponível aqui.

Exemplo de Redação - FUVEST 2022

Dá uma olhada nessa redação sobre o tema As diferentes faces do riso:

Riso: uma faca bem afiada

De acordo com o filósofo grego Aristóteles, a arte consiste em uma forma exemplar da expressão humana por conta de sua função catártica, isto é, as obras têm a capacidade de expor os mais variados aspectos da vida social, de modo a sensibilizar o público e estimular reflexões acerca do tema abordado. Nesse contexto, a catarse aristotélica se faz presente no riso, uma vez que a comédia e as diversas formas da arte do rir são maneiras de evidenciar as inquietações da vida humana, promovendo o debate sobre inúmeras instâncias sociais. Diante disso, o riso constitui tanto uma manifestação crítica da sociedade quanto uma forma de resistência às adversidades.

De início, é preciso entender o riso enquanto instrumento de denúncia às mazelas sociais. Nesse sentido, produções artísticas focadas no humor, como o cinema mudo, podem servir de meio à exposição de injustiças que corroem o corpo social. Por exemplo, no início do século XX, auge do desenvolvimento industrial norte-americano, era frequente a exploração dos trabalhadores nas fábricas, os quais eram submetidos a condições desumanas de trabalho e recebiam salários irrisórios. Tal cenário não escapou aos olhos atentos do ator e cineasta Charlie Chaplin, que retratou em seu célebre filme “Tempos Modernos” as atrocidades sofridas pelos operários, imortalizadas pela cena em que o protagonista Carlitos é engolido pelas engrenagens da indústria. Dessa maneira, nota-se como Chaplin escancara de modo contundente os problemas sociais por meio do riso, o que configura a função crítica dessa manifestação humana.

Além disso, o riso se mostra eficiente na luta contra as condições adversas que se impõem aos indivíduos. Nessa perspectiva, o ato de rir diante das dificuldades não significa ignorá-las, pelo contrário, o sujeito que ri dos obstáculos mostra plena consciência de que deve enfrentá-los de maneira decidida e alegre, mostrando-se mais forte do que aqueles que tentam prejudicá-lo. Essa noção de superação já era prevista pela mitologia grega, nas narrativas da viagem de Ulisses, herói da Guerra de Troia, que enfrenta a fúria dos mares e inúmeros percalços sem se deixar abalar, até que enfim chega a Ítaca, sua terra natal. Tal é o poder do riso enquanto ato de resistência: empoderar o sujeito para que ele possa transgredir as intempéries.

Portanto, o riso demonstra sua função catártica e se consolida como componente fundamental da existência humana na medida em que expõe os desvios da sociedade e incita à reflexão e ao combate a esses imbróglios. Assim, as diferentes faces de uma boa risada revelam-na como uma espécie de faca bem afiada, que, ao mesmo tempo, causa cortes incisivos por sua crítica e protege seu usuário das adversidades que o cercam.

Essa redação está disponível aqui.

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